PF prende agente acusado de facilitar entrada de drogas e celulares na Pamc

Junto com o agente penitenciário foram presos dois integrantes de uma facção criminosa que atuam dentro e fora dos presídios
Agente recebia celulares de familiares de presos, alguns com recados, para repassar aos destinatários no presídio (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal em Roraima (PF) prendeu, na manhã de ontem, 31, o agente penitenciário E.V.S., acusado de facilitar a entrada de drogas e celulares na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), o que contribuiu para o crime organizado articular a execução de cinco agentes de Segurança do Estado. Dois integrantes de uma facção criminosa que atuam dentro e fora dos presídios de Roraima também foram presos.
A operação, que foi realizada em conjunto com a Divisão de Inteligência e Captura (Dicap), da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), teve o objetivo de desarticular a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado, responsável por introduzir drogas e celulares nas unidades prisionais.
O agente penitenciário foi levado pelos policiais federais à sede da Superintendência da PF em Boa Vista, onde foi interrogado pelo delegado responsável pela operação. A investigação estava sendo conduzida há mais de um ano pela Polícia Federal e não teve interferência por parte do Governo do Estado.
Conforme a PF, centenas de aparelhos celulares foram apreendidos dentro da Pamc nos últimos meses durante as revistas realizadas pela Polícia Militar (PM), mesmo com os procedimentos de revistas terem sido intensificados, o que levou os investigadores a concluir que algum servidor público estaria participando do esquema.
Após alguns meses de investigação foi identificado que o agente penitenciário recebia os aparelhos celulares nas vésperas dos plantões, normalmente das mãos de parentes de presos, para entregá-los aos destinatários no dia seguinte, dentro da unidade. Segundo a PF, ele recebia por cada celular ou porção de droga que introduzia na penitenciária.
Os aparelhos eram utilizados pela cúpula da organização criminosa para comandar o tráfico de drogas, roubos e acertos de contas de dentro da unidade prisional. “Isso torna a conduta do agente público ainda mais grave, considerando que desde o ano de 2016 foram assassinados, a mando da facção, três policiais militares, um policial civil e um agente penitenciário, esse integrante da carreira do acusado”, informou a PF.
Durante os trabalhos de investigação, foram apreendidos por duas vezes aparelhos celulares escondidos dentro da unidade prisional deixado pelo agente e que seriam recebidos por presos. Alguns continham recados atrás do aparelho. Um deles, que foi preso durante a operação, cumpre pena na Pamc e se aproveitava do benefício do trabalho interno para receber o celular das mãos do agente. O outro preso cumpria pena em liberdade.
Além de introduzir celulares na Pamc, a PF afirmou que o servidor público, enquanto esteve lotado no Centro de Progressão Penitenciária (CPP), assinou a folha individual de frequência de um preso que deveria pernoitar na unidade, fabricando um álibi falso que poderia ser utilizado no caso do cometimento de algum delito.
INDICIAMENTO - O agente penitenciário e os outros dois presos foram encaminhados para a Penitenciária Agrícola e indiciados por tráfico de drogas, favorecimento, falsificação de documento público e participação em organização criminosa.
SINDICATO - Questionado sobre a operação da Polícia Federal que prendeu um agente da categoria, o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Roraima (Sindape), Lindomar Sobrinho, informou que a entidade entende que a ação policial foi “legítima e profícua”.
“Não se pode admitir servidores nos quadros da Segurança Pública com prática manifestamente criminosa e incompatível com o cargo”, disse. “Entendemos ainda, que a lei deve ser aplicada no seu devido rigor, se após o devido processo legal comprovar-se a prática de algum delito seja qual for o servidor”. (L.G.C)
Mulher de agente que foi preso morreu com um tiro na cabeça
O agente penitenciário preso na operação da Polícia Federal teve a mulher, I. C. L., de 21 anos, morta em fevereiro deste ano baleada na cabeça após uma discussão entre os dois. A vítima levou um tiro na cabeça desferido com a arma do agente penitenciário, que alegou à época que ela tinha se matado após uma discussão.
A família da vítima, no entanto, pediu exame residuográfico da mão para confirmar se ela usou a arma e disse não acreditar em suicídio. À época, a arma do agente chegou a ser apreendida. As investigações pela Polícia Civil seguem em andamento. (L.G.C)






Por Luan Guilherme Correia
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