Vídeo de celebração religiosa na Câmara do Rio provoca polêmica na web

Comemoração foi idealizada por vereador que é bispo. Regimento da Casa permite homenagens do tipo, caso não haja votação — como não havia na ocasião.
Religiosos dão as mãos no plenário da Câmara do Rio durante celebração religiosa (Foto: Reprodução / Facebook)

As imagens de uma celebração religiosa no plenário da Câmara dos Vereadores do Rio provocou polêmica em redes sociais. O vídeo foi publicado no final de setembro e já teve 2 milhões de visualizações — além de críticas e elogios. A solenidade foi noticiada inicialmente pelo "The Intercept Brasil".
O evento foi marcado pelo vereador e bispo Inaldo Silva (PRB) em comemoração à promulgação de um projeto de lei dele mesmo: a criação do Dia Interdenominacional. O texto da lei prevê a realização, em todo terceiro domingo de setembro, de atividades de diferentes denominações religiosas. "Afinal, o Pai é Nosso", justifica o autor.
Internautas, no entanto, questionaram se o plenário da Câmara, um espaço laico, seria o local apropriado para a realização do encontro evangélico.
"Gente, mas o Estado não é laico? Não (se) justifica um culto em plena Câmara! Religião quando é verdadeira fica apartada da política", escreveu uma seguidora. Outra completou: "Independente da minha religião, os políticos que me representam estão ali para respeitar a lei e fazer seu trabalho sem misturar religião com decisões políticas".
O projeto foi sancionado pelo prefeito Marcelo Crivella (PRB), que é do mesmo partido do bispo Inaldo. Apesar de assinar a promulgação, Crivella informou que não faria comentários "por se tratar de uma questão de competência do Poder Legislativo".
Ao G1, o vereador discordou das críticas. Disse que, como a lei saiu da Câmara, a celebração deveria ser lá também. E antecipou que o próximo evento será no Maracanãzinho.
"A celebração não é inapropriada porque foi uma solenidade, a comemoração de uma lei, a lei que criou o Dia do Encontro Interdenominacional. Não foi cum culto. Não houve pregação. E a solenidade não foi em dia de votação. Não há nada de ilegal nisso", disse.
O Regimento Interno da Câmara, de fato, permite comemorações ou homenagens de "qualquer espécie" desde que ocorram após a realização de sessões ordinárias, ou seja, de votações no plenário.
Cadeira do presidente da Câmara do Rio é ocupada durante a celebração (Foto: Reprodução / Facebook)

Homenagem não é ilegal, diz Câmara

O evento ocorreu numa sexta-feira, quando sequer são realizados pleitos na casa, como esclarece a assessoria de imprensa da Casa.
"O artigo 177 do Regimento Interno da Câmara Municipal do Rio estabelece que: Comemorações ou homenagens, de qualquer espécie, só poderão ser realizadas ou prestadas pela Câmara Municipal, após a realização das sessões ordinárias, obedecidas as normas dos parágrafos seguintes e ressalvados os casos já definidos em lei ou resolução. A referida agenda era uma comemoração alusiva ao Dia do Encontro Interdenominacional, criado através da Lei nº 6195/2017, de autoria do vereador Inaldo Silva (PRB).", escreve a assessoria de imprensa da Câmara.
O bispo e vereador Inaldo Silva disse ainda que o encontro não foi realizado pela Igreja Universal do Reino de Deus, da qual Crivella é bispo licenciado.
"Propus o Dia do Encontro Interdenominacional para unir mais as igrejas. Porque o Cristo que nos une é maior do que qualquer liturgia que nos separa. O Pai é nosso. Tivemos representantes de várias denominações, das mais tradicionais às mais pentecostais", diz o parlamentar. 




Por Gabriel Barreira, G1 Rio 
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