Pesquisa revela perfil intolerante de boa-vistenses com venezuelanos

Maioria dos moradores de Boa Vista acredita que as autoridades não devem mais permitir a entrada de venezuelanos no Brasil
Avaliação é que boa-vistense vê o venezuelano como uma ameaça para seu emprego (Foto: Nilzete Franco)

O Instituto Unama, entidade ligada ao Grupo Ser Educacional, divulgou informações da pesquisa “A Percepção do Boa-Vistense Sobre o Convívio com Estrangeiros”. Os dados fazem parte da primeira série de pesquisas que serão divulgadas na Folha, após parceria com o Grupo Folha de Comunicação.
Foram realizadas 626 entrevistas durante os dias 17 e 18 de outubro de 2017, com pessoas com mais de 16 anos residentes na Capital. A amostra dos entrevistados foi selecionada primeiramente a partir de setores censitários e, em seguida, por um número fixo de pessoas de acordo com sexo e faixa etária.
A princípio, a pesquisa abordou questões sobre a moradia e empregabilidade em Boa Vista. Do total de entrevistados, 54% se diz “feliz” de morar na Capital, com 54% dos entrevistados se dizendo “com orgulho de ser roraimense” e 39% afirmando que não nasceram no Estado. Os que não nasceram no Estado relataram que são do Maranhão (27,7%), do Pará (15,7%) e do Amazonas (8,7%).
Os entrevistados também declararam que Boa Vista é uma cidade acolhedora, com muitas pessoas de fora morando na cidade e que existem muitas oportunidades econômicas, com 50% relatando que aconselhariam positivamente a capital para algum brasileiro residente de outro Estado que estivesse procurando por uma melhor oportunidade. Com relação ao preconceito, 82% dos residentes na Capital declararam que não são racistas.
ESTRANGEIROS – Sobre a Venezuela, a maioria dos entrevistados (63%) informou que já foi ao país, sendo o principal ponto visitado a cidade de Santa Helena de Uairén (62,1%), na fronteira com Pacaraima, e a Ilha de Margarita (8,4%). Dos que já foram ao país vizinho, 33% relataram um bom recebimento. Em seguida, os entrevistados avaliaram o recebimento como indiferente, com 25%, e mal, com 20%.
Apesar de acreditarem que foram bem recebidos na Venezuela, os entrevistados declararam, na sua maioria, que não consideram o povo venezuelano como amigo do povo brasileiro, com 61% do índice total.
Os entrevistados afirmaram ainda que a imagem que possuem da Venezuela é que o país é “um caos, desorganizado”, com um povo sofrido. Os moradores de Boa Vista dizem que sabem que existem muitos estrangeiros vivendo na Capital e acreditam que o motivo da vinda ao Brasil é “em busca de refúgio e para fugir da crise”.
Quase uma unanimidade, um índice de 95% dos entrevistados, relatou que tem ciência da forte crise política que o país está vivendo, no entanto, a maioria deles, com 48%, afirmou que “não procura” saber informações sobre a crise política.
Sobre o contato com estrangeiros, a maioria dos residentes da Capital (56%) afirmou que não conversa com venezuelanos e que, ao encontrar com estrangeiros, a maioria, 78% ‘sente vontade de ajudar’, porém, um alto índice (52%) relata ‘desconforto’ e 46% ‘medo’ dos imigrantes.
AJUDA AOS ESTRANGEIROS – Com relação a uma possível ajuda do Governo Federal aos venezuelanos, os entrevistados (64%) relataram que acreditam que o Estado brasileiro deveria auxiliar os estrangeiros, sendo a principal sugestão “dar trabalho e gerar empregos”, com 45,9%; seguida de “oferecer abrigo e moradia”, com 17%; e com alimentos e roupas, com 8,6%.
Questionados diretamente se o país deveria auxiliar financeiramente os estrangeiros, a maioria (72%) relatou que não. Sobre a afirmação de que “as autoridades brasileiras não devem mais permitir a entrada de venezuelanos no Brasil”, os entrevistados relataram que 39% concordam com a opinião e 27% concordam parcialmente com o dado, mesmo tendo ciência da grave crise econômica que o país enfrenta e a forma como os venezuelanos estão vivendo no país, refugiados, em situação de rua e mendicância.
AVALIAÇÃO DA PESQUISA – O doutor em Ciências Políticas e um dos coordenadores de Estudos e Pesquisas da Unama, Adriano Oliveira, explicou que a pesquisa revela uma presença de certa intolerância com os venezuelanos. “Quando nós perguntamos se os entrevistados indicariam que brasileiros viessem morar aqui, há um bom convívio. No caso dos venezuelanos, nós não percebemos isso. Acredito que isso seja motivado pela situação que a própria pesquisa mostra, que é uma certa intolerância com os venezuelanos”, disse Adriano.
“Os entrevistados veem os venezuelanos como uma ameaça para seus empregos. Acredito que a atual situação degradante em que os estrangeiros estão em Boa Vista, essa paisagem social negativa, com pessoas desamparadas, também provoca sentimentos negativos por parte dos brasileiros”, acrescentou.
Para o especialista, uma possível solução para o problema seria o trabalho do poder público na tolerância da população com os estrangeiros. “O Brasil precisa ser exemplo. A segunda questão é o Estado ter uma política de imigração, de ajuda aos venezuelanos, mas desconfio que essa política possa gerar mais desconfiança. Então é preciso ser feita com muita cautela para que os brasileiros não criem a imagem de que o Governo quer ajudar somente aos venezuelanos e não a população”, frisou. (P.C)






Por Paola Carvalho
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