Governo russo confirma que ataque contra jornalista foi 'caso de loucura'

Agressor disse que se sentia 'assediado sexualmente' pela vítima 'através de um contato telepático'. Jornalista está em coma induzido.
Homem indicado como o agressor da jornalista russa Tatyana Felgenhauer é detido na redação da rádio Ekho Moskvy nesta segunda-feira (23) (Foto: (Vitaly Ruvinsky, Ekho Moskvy photo via AP)

O ataque desta segunda-feira contra uma jornalista da emissora de rádio Ekho Moskvy ("Eco de Moscou", em português) foi "um caso de loucura" e não é possível interpretar o incidente de outra maneira, assinalou nesta terça-feira (24) o governo da Rússia, contrariando as versões que mencionam possíveis motivações políticas.
"Tentar descrever este acontecimento trágico, e que realmente está ligado a um caso de loucura, como relacionado com outros assuntos é ilógico e, no nosso ponto de vista, provavelmente equivocado", disse aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Tatiana Felgenhauer, vice-diretora da emissora "Eco de Moscou", considerado um dos poucos meios de comunicação independentes na Rússia, foi atacada na redação por um homem que lhe desferiu uma facada no pescoço e que foi detido posteriormente.
A jornalista, de 32 anos, foi transferida para um hospital, onde passou por cirurgia e está em coma induzido. No entanto, apesar da gravidade do ferimento, fontes médicas disseram que sua vida não corria perigo.
Viatura de polícia é vista em frente à estação de rádio Ekho Moskvy, em Moscou (Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters)

O agressor, identificado como Boris Grits, um cidadão de Israel de 49 anos, foi neutralizado pelos guardas de segurança e entregue à polícia.

Prisão preventiva

Na audiência realizada nesta terça em um tribunal de Moscou, o agressor foi acusado de "tentativa de assassinato" e submetido à prisão preventiva por um período de dois meses.
Em seu depoimento, Grits reconheceu que tinha infligido ferimentos corporais à jornalista, mas negou que tivesse intenção de matá-la.
Após sua detenção, o agressor ofereceu uma explicação estranha sobre as suas motivações, ao alegar que se sentia "assediado sexualmente" pela vítima "através de um contato telepático".
"Utilizando a conexão telepática, ela (Felgenhauer) me mortificava sexualmente", disse Grits no primeiro interrogatório. "Nunca a conheci de verdade, mas a vi e senti. Não consegui tirá-la da minha cabeça", acrescentou o agressor.
Fontes policiais opinaram em um primeiro momento que o ataque poderia ter sido causado por "motivos pessoais" e que a vítima talvez conhecesse o agressor. Também foi cogitada a possibilidade de motivação política contra um veículo de comunicação independente.

Instigação ao ódio

O Sindicato de Jornalistas afirmou em um comunicado que parte de culpa do ataque recai sobre a emissora de televisão estatal russa, depois que esta acusou diversas vezes a "Eco de Moscou" e Tatiana Felgenhauer de serem "agentes do Departamento de Estado dos EUA".
"Acreditamos que este tipo de programa instiga o ódio contra nossos colegas e pode ter provocado o ataque contra Tatiana por parte de uma pessoa transtornada", afirmou o sindicato.
A União de Jornalistas da Rússia qualificou a agressão contra Felgenhauer como "um ataque contra a liberdade de expressão". 





Por Agencia EFE 
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