Picolezeiro haitiano vítima de assalto recebe doações de dinheiro e alimentos

Comovidos com o caso, um grupo de taxistas e pessoas anônimas se reuniram para arrecadar dinheiro e alimentos
Taxistas arrecadaram dinheiro durante uma hora para ajudar o picolezeiro (Foto: Nilzete Franco)

A imagem de desolação do picolezeiro haitiano Dorvil Duma, de 32 anos, após ser assaltado por um motoqueiro enquanto trabalhava no bairro Mecejana chamou a atenção de muita gente e despertou o espírito de solidariedade dos boa-vistenses. Após o caso ser noticiado pela Folha e circular nas redes sociais e em grupos de mensagens instantâneas, dezenas de pessoas procuraram Dorvil e o ajudaram com alimentos e dinheiro. Um dia após ter R$ 120,00 levado pelo assaltante, o haitiano foi surpreendido com um gesto de afeto da população.
Há oito anos Dorvil deixou a pequena ilha no Caribe para tentar a vida na América do Sul. Em 2009, ele foi para a Venezuela, mas com a grave crise econômica, política e social no país vizinho, acabou vindo para Roraima, em janeiro deste ano, onde conseguiu o trabalho como picolezeiro. Ele é um dos 50 haitianos que trabalham em uma sorveteria no bairro Cinturão Verde e que sustentam a família com o dinheiro conseguido vendendo os produtos.
“Minha família está na Venezuela. Vim para cá para tentar manter a vida da minha família lá. Tenho esposa e dois filhos pequenos, um de oito meses e outro de oito anos. Estou trabalhando como picolezeiro, porque não podia ficar sem fazer nada e tenho que ganhar o pão para ajudar eles lá”, contou. “Temos cerca de 50 haitianos na sorveteria, apenas três brasileiros trabalham lá. Muita gente fala que nós somos trabalhadores e é verdade, porque não conseguimos ficar parados”, acrescentou.
Ele afirmou que foi surpreendido ao ser assaltado, pois não esperava que fosse ocorrer algo do tipo com ele em Boa Vista. “Fui surpreendido e fiquei bastante estressado. Tive medo do que aconteceu comigo, pois o homem [assaltante] roubou tudo o que eu tinha conseguido no dia”, relatou.
Mesmo com a violência, o picolezeiro disse que vai continuar trabalhando na Capital, pois não tem como se manter na Venezuela. “Passo dois meses aqui e 15 dias lá para dar comida a minha família. Muita gente levou comida e dinheiro para mim. No Brasil não são todas as pessoas que são ruins, a maioria são humanos”, comentou. (L.G.C)

Grupo se reúne para arrecadar dinheiro e alimentos

Comovidos com a situação do picolezeiro, um grupo de taxistas e pessoas anônimas se reuniram para arrecadar dinheiro e alimentos e doar ao haitiano. “Sempre que temos a oportunidade tentamos fazer algo para ajudar as pessoas, fazemos isso há anos. Tem um trabalho que é feito no final de ano onde entregamos cestas básicas e sempre que aparece alguém pedindo ajuda fazemos a arrecadação”, disse o taxista Elizel Bezerra.
Em menos de uma hora e com a ajuda de vários motoristas que passavam pelo Terminal de Ônibus no Centro, os taxistas conseguiram arrecadar R$ 410,00. “Nos comovemos com a situação do nosso amigo e paramos os carros para ajudar ele, pois sentimos que ele precisava.  Estamos fazendo a nossa parte e mostrando para a sociedade que ajudar é preciso”, destacou.
Uma das pessoas que ajudou o picolezeiro, a professora Mary Barroso disse que quando chegou à residência dele muita gente tinha ido ajudar. “Ele ainda não entendia o que aconteceu na vida dele. Eu li a matéria na Folha e resolvi ir lá e já tinha muita gente ajudando. O rapaz estava agradecendo o tempo todo e parecia que a ficha dele ainda não tinha caído”, contou. (L.G.C)








Por Luan Guilherme Correia
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