Falta de remédios dificulta tratamento de portadores de Aids em Natal

Pacientes chegam a ficar até 10 dias sem tomar os remédios. Infecção por HIV tem aumentado na capital potiguar.
Hospital Giselda Trigueiro, em Natal (Foto: Lucas Cortez/G1 RN)

Entre os anos de 2010 e 2016, o Brasil teve um aumento de 3% nos casos de infecção por HIV, o que corresponde a 49% dos novos casos diagnosticados em toda América Latina. Na capital potiguar, são vários casos diagnosticados por dia no Hospital Giselda Trigueiro, referência no tratamento de AIDS no Rio Grande do Norte.
No entanto, o Hospital Giselda Trigueiro, unidade especializada em infectologia na capital potiguar, convive nos últimos meses com a falta temporária de medicamentos fundamentais para tratamento do vírus, como é o caso do Ritonavir e do Darunavir. Com isso, alguns pacientes chegam a ficar até 10 dias sem tomar os remédios.
“Hoje prescrevi três receitas para pacientes do interior, mas não tinha medicamento disponível”, afirma o infectologista Antônio Araújo, que desde 1983 atua no tratamento da vírus no hospital. Segundo ele, um dos motivos alegados para a falta é o atraso no envio da matéria prima para a fabricação dos medicamentos, que é comprada através de licitação pelo Ministério da Saúde.
Ainda de acordo com Antônio Araújo, todos os dias há novos registros. “Todos os dias nós temos uma média de seis, sete casos novos de AIDS em Natal”, afirma o médico, que comenta preocupado o número de soropositivos internados no hospital. "Tem tempo que dos 100 leitos disponíveis no hospital, 60 são ocupados por pacientes com HIV", revela.
Segundo o infectologista, atualmente 30 pacientes estão nas enfermarias da unidade, 10 no pronto-socorro, 10 tratando tuberculose e quatro na UTI. “Muitos estão em estado grave porque deixaram de tomar os remédios por se considerarem curados, outros porque descobriram ou iniciaram o tratamento tardiamente”, complementa.

Importância do tratamento

Maria e Ronei, de 48 e 49 anos, respectivamente, vivem juntos há 18 anos, e em 2002 ela foi diagnosticada com AIDS, já ele foi um ano depois, em 2003. Por seguirem com o tratamento, os dois levam uma vida saudável, e há 10 anos o vírus é indetectável no sangue deles.
Porém, para Maria, o maior obstáculo enfrentado atualmente não é a doença, mas o preconceito e olhares tortos. “As pessoas ainda têm um preconceito muito grande. Quando você arruma um trabalho, que as pessoas ficam sabendo, já começa aquele negócio de se afastar", relata.
Maria diz que, inclusive já perdeu um emprego por ser portadora do vírus. “Já perdi emprego por causa disso. Lógico que eles não alegaram que fui demitida por causa do HIV, eles deram outra desculpa”.
Desde o ano de 2013, o teste de HIV pode ser feito gratuitamente em todas as unidades de saúde de Natal. Para o exame é necessário uma gota de sangue e o resultado sai em 30 minutos. No Rio Grande do Norte existem diversos municípios com Serviços Ambulatoriais Especializados em HIV/Aids (SAE): Natal, Parnamirim, Macaíba, São José de Mipibu, Santa Cruz, São Gonçalo do Amarante, Mossoró, Pau dos Ferros e Caicó.
Casal Maria e Ronei fazem tratamento no Giselda Trigueiro (Foto: Lucas Cortez/G1 RN)






Por Lucas Cortez, G1 RN  
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