Após sofrer bullying na escola por querer estudar insetos, garota de oito anos vira co-autora de artigo acadêmico | Portal RR Music

Após sofrer bullying na escola por querer estudar insetos, garota de oito anos vira co-autora de artigo acadêmico

Sophia Spencer recebeu apoio da comunidade científica e acabou co-escrevendo um artigo acadêmico com o pesquisador Morgan Jackson sobre divulgação científica pelas redes sociais.
Sophia Spencer, de oito anos, recebeu apoio da comunidade científica depois de sofrer bullying por gostar de estudar insetos, e acabou co-escrevendo um artigo acadêmico com o pesquisador Morgan Jackson (Foto: Reprodução/Twitter)


Um ano depois, o bullying que uma garota sofreu na escola por querer estudar insetos virou pesquisa científica, da qual ela é co-autora, com apenas oito anos. Sophia Spencer vive no Canadá e, segundo a mãe, Nicole, ama insetos e quer um dia virar entomologista, nome dado aos biólogos que estudam os insetos em seus vários aspectos. A paixão da menina, porém, não era bem recebida pelos colegas de escola, e a mãe, depois de tentar de várias maneiras incentivar o hobby da filha para que ela não desistisse dele, decidiu pedir ajuda.
Era agosto de 2016 quando a Sociedade de Entimologistas do Canadá recebeu uma carta de Nicole com um pedido: "Se algum pudesse talvez conversar com ela mesmo por cinco minutos, ou alguém que não se importaria em trocar cartas com ela, eu agradeceria muito. Quero que ela ouça de um especialista que ela não é esquisita ou estranha (como as crianças a chamam) por amar insetos e bichos."
Os entimologistas decidiram, então, usar seu perfil no Twitter para pedir o e-mail de outros pesquisadores e pesquisadoras interessados em ajudar a mãe de Sophia a apoiar a vontade da menina de seguir uma área científica.
A ideia viralizou com a hashtag #BugsR4Girls ("insetos são para meninas", em tradução livre). "Uma garotinha que ama insetos está sofrendo bullying e precisa do nosso apoio. Mandem seu e-mail por DM e nós conectamos vocês", dizia o tuíte, que foi compartilhado mais de mil vezes:
Muitas pessoas decidiram ajudar, inclusive mulheres que, durante a infância, eram como Sophia, e acabaram seguindo carreira científica na área.

Co-autoria em um artigo acadêmico

Uma dessas pessoas foi Morgan Jackson, cientista da Escola de Ciências Ambientais da Universidade de Guelph, em Ontario. Neste mês, pouco mais de um ano depois da carta de Nicole, Morgan e Sophia publicaram na revista Anais da Sociedade Entomológica da América o artigo "Se engajando por uma boa causa: a história de Sophia e por que #BugsR4Girls".
O artigo, enviado pela dupla à revista científica em fevereiro deste ano, não é sobre um inseto específico, mas sim sobre o uso das redes sociais no trabalho de divulgação científica. "Apesar da dificuldade em articular a importância imediata de providenciar nomes para novas moscas, o valor inerente do conhecimento é inegável. Algumas vezes, porém, o impacto positivo que cientistas têm na sociedade, ou mesmo em um único indivíduo, pode vir à realidade em tempo real", explicam os dois no resumo do artigo.
O documento disseca o tuíte publicado pela Sociedade de Entomologistas do Canadá e o compara com os demais conteúdos produzidos pela conta no Twitter. Ele mostra que a publicação conseguiu uma taxa de engajamento até oito vezes mais alta que a média mensal do perfil. O número de impressões foi 28 vezes maior, mais de 750 usuários únicos aderiram à hashtag #BugsR4Girls e 135 usuários enviaram uma mensagem privada para pedir o contato com Sophia. Desses, 73% eram mulheres, e a primeira mensagem chegou apenas sete minutos depois da publicação do tuíte para os cerca de 1.600 seguidores do perfil.

'Qualquer coisa pode ser para qualquer pessoa'

Além de listar uma série de resultados positivos para a sociedade que a campanha #BugsR4Girls trouxe, o artigo acadêmico também tem um capítulo dedicado aos benefícios percebidos na vida de Sophia, escrito por ela mesma. Leia a seguir alguns trechos:
"Depois que a minha mãe enviou a mensagem e me mostrou todas as respostas, eu fiquei feliz. Senti que era famosa. Porque eu era! Me senti bem por ter tantas pessoas me apoiando, e foi legal ver que outras meninas e adultas estudavam insetos. Isso me fez pensar que eu poderia fazer isso também, e eu definitivamente, definitivamente, definitivamente quero estudar insetos quando eu crescer, especialmente os gafanhotos."
"Minha mãe diz que eu voltei a ser a pessoa engraçada e com confiança que eu era depois de ver tantas meninas que gostam de insetos."
"Se alguém dissesse que insetos não são para garotas, eu ficaria muito brava com eles, mas não faria nada, eu apenas não falaria com eles. Acho que qualquer coisa pode ser para qualquer pessoa, inclusive os insetos."






Por G1 
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