Prostituição avança e afugenta moradores e comerciantes do Caimbé

Atividade de venezuelanas já ocupa várias esquinas do bairro e, por conta disso, moradores e empresários têm deixado suas casas e comércios
Mulheres, maioria venezuelanas, disputam clientela no meio da rua (Foto: Hione Nunes)

A esquina da rua da aposentada Maria de Sales virou um dos pontos de prostituição mais frequentados do bairro Caimbé, na zona oeste de Boa Vista. Ao ar livre e a qualquer hora do dia, dezenas de mulheres, principalmente de origem venezuelana, disputam a “clientela” numa realidade que virou um dos maiores reflexos da migração ocasionada pela grave crise econômica e política no país vizinho.
Antes ocupando apenas um pequeno espaço no entorno da Feira do Passarão, onde há vários prostíbulos, a atividade das garotas de programa avançou de forma desenfreada e já ocupa pelo menos dez ruas do bairro. A situação fez com que diversos moradores e comerciantes, entre eles dona Maria, pusessem seus imóveis à venda ou para alugar. “Quando começou [a prostituição], no início do ano passado, era apenas em uma esquina. Hoje por onde se olha você vê essas mulheres se prostituindo. Não conseguimos mais nem andar pelo bairro, porque é manhã, tarde e noite nas esquinas”, disse a aposentada.
Apesar de não ser proibida, a prostituição acaba fomentando outras mazelas sociais, como o tráfico de drogas, assaltos e até aliciamento de menores, que acompanharam o avanço das garotas de programa no bairro, segundo os moradores.
Há oito anos, o empresário Raimundo Nonato havia aberto um pequeno ponto de venda de carne no Caimbé, mas decidiu colocar o comércio à venda após ter sido assaltado por várias vezes. “Não adianta mais insistir aqui. Acho que mesmo que tentem fazer algo por essas garotas ou para conter a migração já não adianta. Já houve operação da Polícia Federal, mas não adiantou”, lamentou.
A ação a qual o empresário se referiu ocorreu em maio deste ano. Nomeada de “Codinome”, a operação da Polícia Federal (PF) investigou a existência de uma rede de tráfico de mulheres brasileiras e venezuelanas para fins de exploração sexual no bairro Caimbé. À época, dezenas de mulheres foram levadas para a sede da PF.
Horas após a operação, no entanto, as esquinas, calçadas e meio-fio da Avenida dos Imigrantes, onde fica localizada a Feira do Passarão, e de outras ruas, já estavam tomadas de mulheres aguardando clientes.
Os moradores e comerciantes querem que as autoridades públicas tomem providências o quanto antes, pois as famílias que moram perto da zona agora são obrigadas a se trancarem em suas casas, porque, segundo eles, traficantes e assaltantes rondam pelas ruas, em meio às garotas de programa. “Já estou decidida a sair daqui e procurar outro lugar. Ninguém aguenta mais isso”, desabafou a moradora Ana Simões.
GOVERNO – Em nota, a Polícia Militar de Roraima informou que tem conhecimento desse cenário de violência no bairro Caimbé. “O Comando do Policiamento da Capital (CPC) desenvolve um trabalho preventivo diário, com equipes de policiamento ostensivo com viaturas e de policiamento velado com policiais à paisana que observam as atividades do tráfico e repassam para as equipes do rádio-patrulhamento especializado do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e do Giro (Grupamento de Intervenção Rápida Ostensiva) com o intuito de minimizar os problemas de segurança na área, que já foram bem piores”, explicou.
Conforme a PM, nos fins de semana, o CPC executa operações em Boa Vista e o bairro Caimbé é um dos principais contemplados com as ações de combate ao crime. “O Comando da Polícia Militar orienta a comunidade do Caimbé a fornecer informações, por meio do 190, sobre pessoas e veículos em situações suspeitas nos locais onde comumente ocorrem ilícitos no bairro para que possamos adequar nossas ações, buscando o melhor atendimento à população”, destacou.
PREFEITURA – Também em nota, a Prefeitura de Boa Vista informou apenas que essa é uma questão de segurança pública, trabalho esse desenvolvido pelas equipes da Polícia Militar, de responsabilidade do Governo do Estado. (L.G.C)





Por Luan Guilherme Correia
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