Presas fazem motim na Cadeia Feminina

Reeducandas não recebiam visitas nem material para higiene pessoal desde o mês passado, quando foram transferidas para o Asa Branca
Familiares das reeducandas ficaram na frente da unidade prisional em busca de informações (Foto: Hione Nunes)

O clima, que já é tenso no Sistema Prisional de Roraima, piorou na manhã de ontem, 10, quando as reeducandas da Cadeia Pública Feminina de Boa Vista (CPFBV) começaram a gritar, bater nas grades e pedir ajuda para que pudessem receber as visitas dos familiares que esperavam do lado de fora. Desde o mês passado, as detentas foram transferidas para o prédio onde funcionava o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), que também já foi o Centro Socioeducativo (CSE), localizado no bairro Asa Branca, na zona oeste de Boa Vista.
Quando a equipe de reportagem da Folha chegou ao local, ainda foi possível ouvir algumas manifestações das presidiárias, no entanto, não era possível compreender as palavras que elas proferiam.
A mãe de uma detenta explicou que, nos últimos trinta dias, as famílias ficaram impedidas de entregar os produtos de higiene básica para as reeducandas. “Minha filha está aí dentro. Ela não matou. Depois de dez anos, a Justiça colocou ela aí dentro. Ela mesma se entregou. Vai fazer um mês que elas estão aqui, nesse prédio. E já tem um mês sem visita da família, sem entrar os materiais para higiene pessoal”, relatou.
A mulher também atribui a falta de atenção às presas ao número reduzido de agentes, tendo em vista que os poucos servidores não suprem a necessidade de atender a todas as famílias e fazer a entrega dos materiais para as internas. “Eles dizem que não têm como pegar os materiais, que estão com poucos funcionários. São mais ou menos 180 detentas. Elas estão tomando banho com sabão em pó porque não tem sabonete. Elas não têm nada para se forrar quando menstruam. As presas já estão pagando pelos crimes que cometeram, não tem que viver em humilhação”, acrescentou a mãe.
A reportagem pediu para ter acesso às dependências da Cadeia Feminina, o que não foi autorizado. O diretor do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), Elisandro Diniz, negou que houve uma rebelião e disse que a partir daquele momento as visitas e entregas de materiais seriam retomadas.
“Na verdade, não está acontecendo rebelião, nem motim, nem nada. O que houve foi uma reivindicação das reeducandas para que a gente possa atender alguns itens delas, como por exemplo, a entrega de materiais. Essa entrega estava suspensa por enquanto por conta do equipamento de raio-x que ainda não tinha sido instalado. É um equipamento complexo e a gente precisa de uma empresa contratada para fazer esse trabalho. Nós acionamos e teve esse tempo de demora na instalação. Já foi instalado e a partir de hoje volta à normalidade a questão do recebimento dos materiais”, garantiu Diniz.
Com relação às demais reivindicações das presas, o diretor do Desipe ressaltou que vai buscar atendê-las dentro das possibilidades. “Estamos buscando fazer melhorias na unidade prisional, aqui no prédio do antigo CPP, que agora é a Cadeia Pública Feminina. Vamos buscar viabilizar as atividades rotineiras para que sejam todas normalizadas”, reforçou.
Quando questionado sobre o tempo em que as presas não recebem visitas dos familiares, Diniz confirmou que há três semanas as internas não recebem os produtos de higiene pessoal e nem visitas.
Quanto às reclamações de que o número de agentes penitenciários não supre a demanda do local, devido à Operação ‘Cumpra-se a Lei’, Elisandro Diniz citou que o Governo do Estado, por meio da Sejuc, já se comprometeu a contratar mais pessoas por meio de concurso público. “Então, também estamos buscando atender a essas expectativas da categoria”, concluiu. (J.B) 





Por João Barros
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