ONU denuncia uso de força excessiva e diz que mais de 5 mil foram presos na Venezuela | Portal RR Music

ONU denuncia uso de força excessiva e diz que mais de 5 mil foram presos na Venezuela

Prisões aconteceram desde abril, quando o país passou a ter manifestações populares diárias contrárias a Nicolás Maduro. ONU estima que mais de 1000 pessoas continuam detidas.
Guarda Nacional Bolivariana (GNB) enfrenta manifestantes que protestavam em Caracas, na Venezuela, em imagem de arquivo (Foto: Ariana Cubillos/AP)

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 5.051 pessoas foram presas na Venezuela desde abril, quando as manifestações contra o presidente Nicolás Maduro passaram a ser diárias. Mais de mil continuam presas. Na avaliação da instituição, o governo tem recorrido ao uso da força excessiva sistematicamente contra manifestantes.
"As entrevistas realizadas a distância (...) sugerem que na Venezuela tem acontecido um uso generalizado e sistemático de força excessiva e detenções arbitrárias contra os manifestantes. Milhares de pessoas foram detidas arbitrariamente, muitas delas foram vítimas de maus-tratos e inclusive de torturas", declarou o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, em um comunicado, de acordo com a France Presse.
As mortes de 124 pessoas são investigadas: 46 já foram atribuídas a integrantes das forças de segurança e 27, a grupos armados pró-governo, de acordo com a Reuters.
O país enfrenta uma grave crise econômica e um aprofundamento da crise política nos últimos meses. As manifestações populares são diárias desde de abril, logo após o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) assumir provisoriamente as funções do Parlamento, que é de maioria opositora. Com a forte oposição interna e da comunidade internacional, a medida foi revista, mas o clima seguiu tenso. Nos protestos, os confrontos entre oposicionistas e as forças de seguranças, muitas vezes violentos, eram comuns. Há relatos de prisões políticas, mortes e feridos.
O presidente Nicolás Maduro promoveu a polêmica realização da eleição de uma Assembleia Nacional Constituinte que, do seu ponto de vista, seria fundamental para a consolidação das conquistas chavistas. A oposição, por sua vez, denuncia o que chama de manobra para que ele se perpetue no poder.
Na segunda-feira (7), o parlamento venezuelano aprovou um acordo de "desconhecimento de atos contrários à ordem constitucional", que não reconhece a Constituinte, eleita no fim de julho. Os 545 parlamentares que vão redigir uma nova Carta Magna tomaram posse na sexta-feira (4) após um conturbado processo eleitoral.
Uma das suas primeiras medidas foi a destituição da procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, que tinha apresentado vários recursos contra a Assembleia Constituinte, todos rejeitados pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado de servir ao governo. Para o parlamento, as primeiras medidas tomadas pela Constituinte confirmam sua natureza ditatorial.
Nesta terça-feira (8), chanceleres de vários países da América Latina se reunirão em Lima, no Peru, para discutir a situação no país. O ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, afirmou que eles querem criar "um grupo permanente" de acompanhamento da situação no país.
"O futuro da Venezuela tem que ser resolvido pelos próprios venezuelanos, mas os países da região têm o papel de colaborar para encontrar essa solução, ainda que seja difícil", acrescentou o ministro.
Chanceleres do Brasil, Chile, Peru, México, Colômbia, Argentina, Paraguai, Uruguai e Costa Rica devem comparecer ao encontro. 







Por G1 
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