Mais de 100 detentos da Pamc ligados a facções são presos | Portal RR Music

Mais de 100 detentos da Pamc ligados a facções são presos

Ideia é cumprir mandados de prisão para que detentos não possam ser soltos em decorrência de crimes cometidos
Mandados de prisão foram cumpridos durante todo o dia de ontem na Penitenciária Agrícola (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil, por meio do Grupo de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Graco), em parceria com a Polícia Militar e agentes penitenciários, deflagrou na manhã de ontem a Operação Contenção, para cumprir mandados de prisão contra envolvidos no crime organizado que já estão recolhidos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), zona rural de Boa Vista. As ações foram iniciadas por volta das 05horas e encerraram às 16horas de ontem, 15, depois que mais de 100 mandados foram cumpridos.
O objetivo da operação foi garantir que, com o cumprimento do mandado, os detentos permanecessem presos, uma forma de esgotar as chances de serem liberados por meio de um alvará de soltura, uma vez que grande parte das prisões é temporária. Com a operação, é possível identificar que há presidiários com três mandados de prisões em seu nome, o que dificultará sua saída da Pamc.
Em coletiva de imprensa realizada na tarde de ontem, a delegada-geral Edineia Santos Chagas explicou que a Polícia Civil precisa provar para a Justiça quem são os detentos e o papel que cada um desempenha no crime organizado, por isso mantê-los presos é essencial para que a investigação caminhe e o trabalho da Polícia Judiciária.
“Nós temos uma linha de trabalho diferente dos demais órgãos do sistema de segurança com relação ao trato com as organizações criminosas porque o nosso objetivo não é enxugar gelo, prendendo um ou outro integrante. Nós sabemos que o ordenamento jurídico possibilita a soltura muito célere para essas prisões que são cautelares. Faz-se o flagrante e se ele [preso] não tiver um antecedente e preencher os requisitos para ser colocado em liberdade, às vezes, já sai na audiência de custódia. Então diante de todas essas dificuldades, a gente percebeu que tem um trabalho mais sério que precisa ser desenvolvido e requer mais tempo, porque não é uma investigação fácil”, garantiu a delegada-geral.
Para ela, é preciso convencer o Poder Judiciário de que os criminosos precisam permanecer presos. “É você demonstrar, literalmente, para o Judiciário que existe uma teia e que cada uma dessas pessoas tem uma função específica dentro dessa organização criminosa. Então a investigação tem que dizer o que cada indivíduo faz, qual é o papel de cada um deles e quem são. É um trabalho lento, delicado. A gente percebeu que tem muito membro de facção que tem mais de um mandado de prisão nas costas. Ele já foi ou condenado por um crime ou está com prisão preventiva decretada pelo Judiciário e tem-se uma dificuldade de cumprir esse mandado dentro do sistema prisional”, disse.
A Polícia Civil fez um levantamento manual de mais de 100 mandados de prisão em aberto só de integrantes de organizações criminosas, contou a delegada-geral. “Então esses indivíduos estão dentro do sistema pela prática de delitos, mas corre o risco de, a qualquer momento, eles serem liberados e vão para a rua com um mandado pendente com algum mecanismo jurídico legal que diminuísse o tempo de reclusão”, ressaltou Edineia.
O delegado que dirigiu a Operação Contenção, Paulo Henrique Migliorini, informou à imprensa que há um mês a Polícia Civil representou contra os criminosos junto ao Judiciário, que por sua vez expediu os mandados de prisão. “Os presos tomaram ciência do cumprimento do mandado de prisão e, em seguida, vamos comunicar às varas de origem porque estavam em tese, em aberto, então o Judiciário não tinha ciência. A partir de agora, se torna difícil a saída deles, porque eles têm dois mandados de prisão em desfavor. A ideia é combater o crime organizado com investigação. O crime organizado não vai tomar conta do Estado. A Polícia Civil está se organizando e se aparelhando, mas a gente também sabe que o pequeno meliante está entrando e, sem querer, está sendo obrigado a fazer parte do crime organizado, mas estamos atentos a isso”, declarou o delegado.
A Operação contou com o apoio de alguns órgãos auxiliares, como a Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, Polícia Militar, Inteligência da Secretaria Estadual de Segurança Pública, Inteligência da Polícia Civil, algumas delegacias, agentes do sistema penitenciário, que auxiliaram na parte de identificação e chamada dos detentos. “Fizemos a chamada ala por ala. Foram cumpridos 120 mandados de prisão. Todos estavam recolhidos e tinham pelo menos mais um mandado de prisão em aberto. Essa foi a primeira etapa dessa Operação. Nós temos mais duas etapas com o mesmo objetivo. Outros locais precisam ter a mesma atenção, com a Cadeia Pública de Boa Vista e a Cadeia Pública de São Luiz do Anauá. Não vai escapar ninguém sem o mandado de prisão ser cumprido”, finalizou Paulo Henrique. (J.B)





Por João Barros
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