Esquema criminoso dos transportes do RJ tinha 'plena atividade' mesmo após Lava Jato, diz juiz

Análise embasa pedido de manutenção de prisão de Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor, feito pelo juiz Marcelo Bretas. Para ele, Prefeitura pode ter replicado desvios da gestão Cabral no Estado.
'Plena atividade da organização criminosa, mesmo após a deflagração da Operação Calicute', diz texto do juiz Marcelo Bretas (Foto: Reprodução)


Nem mesmo a deflagração da Operação Calicute, em novembro de 2016, impediu que o esquema criminoso de empresários e agentes públicos do setor de transportes do Estado do Rio continuasse — com pagamentos de propinas em troca de benesses para as empresas. A observação consta no pedido de manutenção da prisão de Lélis Teixeira, que presidia a Fetranspor até ser preso em outro desdobramento da Lava Jato, a Ponto Final.
O documento foi publicado na terça-feira (15) pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, e determinou também busca e apreensão de bens de Rodrigo Bethlem, ex-secretário de Eduardo Paes (PMDB). O MPF sustenta que os desvios no setor de transporte não ocorriam somente no Governo do Estado, mas também na Prefeitura. Com base em mensagens trocadas entre ele e Lélis, Bethlem seria o "mediador" com os agentes políticos.
"Lélis seria, em tese, responsável por negociar as regalias do setor. Frise-se que as mensagens supramencionadas são datadas de 28/12/2016 e 02/01/2017, o que demonstra plena atividade da organização criminosa, mesmo após a deflagração da Operação Calicute (novembro de 2016)", diz documento assinado por Bretas.
Em julho, a Operação Ponto Final desbaratou um esquema criminoso de desvios de contratos do setor de transportes com o governo de Sérgio Cabral (PMDB), de quem Bethlem foi subsecretário.
"Salienta-se que tais fatos reforçam o cenário apontado na recente Operação Rio 40 Graus, deflagrada no último dia 2 de agosto pois, ao que aparenta, há uma extensão da organização criminosa no mesmo grupo político, uma vez que políticos aliados e que se utilizavam do mesmo esquema de administração. Assim, observa-se que o atual esquema delituoso seria, na verdade, uma ORCRIM (organização criminosa) composta por membros do PMDB/RJ".
Bethlem e Lélis, segundo os procuradores, negociavam para garantir a continuação do esquema criminoso até mesmo na gestão de Marcelo Crivella (PRB). O ex-secretário de Paes seria a "ponte de transição" entre os esquemas.

Depoimento na PF

Na terça, Bethlem deixou a sede da PF às 12h, cerca de duas horas depois de chegar ao local, no Centro do Rio. Em poucas palavras, ele afirmou que a relação com o presidente da Fetranspor não era pessoal. "Já está tudo esclarecido".
Rodrigo Bethlem chegou pouco depois das 10h para prestar depoimento (Foto: Carlos Brito / G1)







Por Gabriel Barreira, G1 Rio  
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