Sequência de erros gerou rombo em conta de água do Mané Garrincha; entenda | Portal RR Music

Sequência de erros gerou rombo em conta de água do Mané Garrincha; entenda

GDF vai abrir sindicância para apurar responsabilidade. Fatura de junho indicou consumo de 94,2 milhões de litros; água foi para sistema de armazenamento de água de reúso e escoou para rede de drenagem pluvial.
Fachada do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha 10/11/2015 (Foto: Andre Borges/Agência Brasília)

A fatura de água de junho do estádio Mané Garrincha, no valor astronômico de R$ 2,26 milhões, foi resultado de uma sucessão de erros. A comissão criada pelo governo do Distrito Federal para apurar o caso apontou pelo menos quatro fatores que contribuíram para o aumento de 5.959% na conta, na comparação com a média:
  1. A ligação entre a tubulação que recebe água da Caesb e os reservatórios que armazenam água da chuva não deveria existir;
  2. O registro de interligação entre os sistemas não deveria ter sido acionado;
  3. As faturas de água em fevereiro, março, abril e maio foram calculadas pela média do consumo;
  4. Os reservatórios da água de reúso não eram vistoriados.

Ligação confusa

Segundo a apuração, o primeiro erro foi cometido ainda na construção do Estádio Nacional de Brasília, na gestão Agnelo Queiroz. Segundo o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, uma interligação entre a tubulação abastecida pela Caesb e o "circuito interno" – que pega água da chuva e leva para irrigar o gramado – não estava sequer na planta original da arena.
“Isso é fruto primeiro de uma situação de execução do projeto. Quando foi feito o estádio, fizeram uma ligação indevida do sistema que capta água pluvial com a rede da Caesb. Isso, aliado à operação, levou ao transbordamento da água.”
Sem essa ligação indevida, não haveria nenhum caminho possível para a água tratada da Caesb entrar nos reservatórios de reúso. Como esses tanques são planejados para receber água "suja", também não há como reverter o processo, já que todo o estoque teria de passar por um novo tratamento.
Como a água não chegou a cair na rede de esgoto, a Caesb revisou a conta para baixo. Com isso, a fatura caiu pela metade, fechada em R$ 1,1 milhão. A quantia deve ser paga pela Terracap, estatal que administra o patrimônio do Distrito Federal.
O Globoesporte.com entrou em contato com a Andrade Gutierrez, líder do consórcio que construiu a arena em 2014. Em resposta, a construtora disse não ter interesse em comentar o caso.

Acionamento errado

A comissão que apurou a conta de água do Mané Garrincha também informou que o acionamento do registro ocorreu de forma indevida. Até esta terça, o Palácio do Buriti ainda não sabia dizer quem tinha aberto a válvula, e nem por que motivo isso teria acontecido.
O governo anunciou a abertura de uma sindicância para apurar a responsabilidade por esse erro. Não há prazo para a conclusão das investigações.
Um ponto considerado "estranho" pelo GDF é o fato de o registro ficar em uma área de difícil acesso, longe do alcance do público geral. A válvula fica próxima ao acionamento de outros mecanismos, mas apenas funcionários autorizados podem circular pelo local.
Questionado sobre a possibilidade de sabotagem, o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio, disse que "não descarta nenhuma hipótese".
"Estou fazendo um ofício para a Controladoria Geral do DF. Queremos descobrir quem abriu esse registro e o porquê de ter feito isso."
Fachada do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha 10/11/2015 (Foto: Andre Borges/Agência Brasília)

Fatura estimada

De acordo com o governo, entre fevereiro e maio, funcionários da Caesb não conseguiram fazer a leitura da água. Por esse motivo, a fatura foi calculada através da média de consumo. Embora seja um procedimento autorizado pela Adasa – Agência Reguladora de Águas –, esse mecanismo “ocultou” o desperdício de água.
“Como houve essa infeliz coincidência, só possível debelar a situação após termos recebido a fatura em junho”, disse Sérgio Sampaio.
A "infeliz coincidência", de acordo com o Buriti, foi causada por cortes na escala de vigilantes no estádio Mané Garrincha. Isso significa que, por quatro meses seguidos, os técnicos da Caesb "deram com a cara na porta" ao tentar medir o consumo de água da arena.
A dificuldade em acompanhar o hidrômetro pode gerar ainda mais prejuízo, porque também atrasou a detecção do problema. Como a válvula problemática só foi identificada nesta semana, é possível que as próximas faturas do Mané Garrincha também apresentem valores altos – indicando que o desperdício foi ainda maior que os 94,2 milhões de litros de água medidos até o momento.

Sem vistoria

Mesmo sem a análise dos hidrômetros – que medem a passagem de água pelos canos –, seria possível identificar o erro com uma vistoria nos próprios reservatórios de água pluvial. Abastecidos pela água da Caesb, os tanques chegaram a transbordar nos últimos meses com o aumento da vazão, mesmo em um período sem chuvas.
Essa mudança no comportamento dos reservatórios não foi vista porque, segundo o governo, eles simplesmente não eram vistoriados. Mesmo nos meses de seca, as quatro pessoas responsáveis pela administração da arena não notaram nenhuma anormalidade nesses tanques, que são usados para irrigar o gramado e, se necessário, para combater incêndios.
A partir deste mês, o governo diz que passará a vistoriar a situação dos tanques. Com base no calendário de chuvas do DF, é possível que o sistema só volte a receber água a partir de setembro, quando cessa o período de estiagem.

Investigação e providências

Além da sindicância, o GDF afirmou que vai eliminar a interligação que gerou o desperdício de água e providenciar um poço artesiano. A outorga já foi concedida pela Adasa, e a água deverá ser usada para irrigação do gramado e combate a incêndio – hoje, essas funções dependem das chuvas.
O grupo de investigação foi coordenado pelo chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, e envolveu representantes da Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), da Novacap – que cuida da manutenção do Mané – e da Terracap – que paga as contas do estádio.
O valor de R$ 2,26 milhões correspondeu, segundo a fatura, a um gasto de 94,2 milhões de litros nos 31 dias de maio. Ao G1 e à TV Globo, a Caesb informou que o hidrômetro do Estádio Nacional de Brasília estava funcionando normalmente no período, ou seja, a água realmente passou pelos canos.
O volume de água consumido seria suficiente para abastecer por um mês toda a população da Candangolândia, região do DF com cerca de 20 mil habitantes. Foram 3 milhões de litros de água por dia, ou 2.110 litros por minuto – vazão equivalente a 140 chuveiros domésticos de potência média. 







Por Letícia Carvalho e Mateus Rodrigues, G1 DF 
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