Primeiro professor surdo é contratado pela UFRR para dar aulas de Libras | Portal RR Music

Primeiro professor surdo é contratado pela UFRR para dar aulas de Libras

Israel Bissat Amim começa a ministrar aulas para três turmas do curso de Libras no início do semestre 2017.2
Israel Bissat Amim e coordenadora do curso de Libras da UFRR, Alessandra Cruz (Foto: Diane Sampaio)

Israel Bissat Amim, de 30 anos, é o primeiro professor surdo de Roraima. Natural do Acre, ele foi contratado pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) para o curso de Libras após ter sido selecionado entre 11 inscritos no concurso de Linguística das Libras, que ocorreu em maio deste ano. Ele começará a ministrar aulas para três turmas no início do segundo semestre de 2017.
Conforme a coordenadora do curso de Libras da UFRR, Alessandra Cruz, Amim vai ministrar aulas de Libras 1, Libras 3 e Laboratório de Língua de Sinais aos alunos do 1º, 3º e 5º semestres. O edital do concurso foi disponibilizado três vezes, mas nas duas primeiras edições, em que era necessário o mestrado na área, não houve candidatos à disposição. A instituição decidiu então abrir a vaga para os profissionais com pós-graduação.
Por residir no Acre, Amim soube do concurso por meio de um grupo de surdos do Brasil pelo aplicativo whatsapp. Antes disso, ele já havia tentado ingressar nas universidades de Rondônia e Tocantins, mas não obteve o resultado desejado. O contrato com a UFRR foi firmado com Dedicação Exclusiva (DE), carga horária de 40 horas e sem prazo de validade. “Fiz o concurso para trabalhar só na UFRR”, traduziu a coordenadora.
Alessandra disse que ele se surpreendeu ao saber que seria o primeiro professor surdo da instituição, uma vez que outros estados e países já contam com estes profissionais em escolas e universidades. Segundo traduziu a coordenadora, Amim chegou a ter vergonha por ter tantos olhares voltados à sua direção e, após chegar ao Estado, demorou a acreditar no fato inédito.
Os planos para o futuro não estão fora do campus. O pós-graduado em Libras tem o sonho de fazer mestrado e doutorado na área, tanto para contribuir junto a UFRR, como para enriquecer as disciplinas que estimulam os professores a estudarem. “Ele estuda e aprende bastante, e depois que aprende acha mais fácil. No futuro ele acreditar que vai ser melhor, ele quer ser um doutor”, complementou Alessandra.
LIBRAS - O curso de Libras da UFRR tem quatro anos no Estado. Conforme destacou a coordenadora, ele veio com a intenção de atender a demanda local de tutores intérpretes de línguas de sinais. No próximo semestre, 2017.2, uma nova turma com cerca de 20 alunos vai ingressar na instituição. “A primeira turma do curso vai se formar na metade do ano que vem”, frisou Alessandra.

‘O surdo pode e precisa acreditar’, afirma Amim

Conforme traduziu a coordenadora, nenhum problema ou deficiência foram diagnosticados quando Amim nasceu. Contudo, aos dois anos de idade, a mãe dele tentava se comunicar com palmas e conversas, mas o filho não correspondia. No Acre, ele visitou o primeiro médico, que o encaminhou a São Paulo, onde recebeu o diagnóstico da deficiência auditiva.
Com quase 05 anos, quando ingressou na escola especializada para surdos, começou a aprender Libras. Quando atingiu a 5ª série foi mandado para a escola de inclusão, onde concluiu o Ensino Médio. Após o término e junto aos estudos universitários, começou a trabalhar no Centro de Aprendizado do Surdo (CAS) como instrutor de Libras. O objetivo era ensinar intérpretes, professores ouvintes e até mesmo crianças, além dos cursos básicos e avançados.
Ele se formou em Letras/Português-Inglês e fez a pós-graduação em Libras. Mas nem sempre pareceu tão fácil. Para a coordenadora ele contou que sentiu dificuldade quando ingressou no Ensino Fundamental. “Mas, ao chegar ao Ensino Médio e faculdade, com o auxílio de intérpretes, ele percebeu que era fácil”, disse Alessandra.
Junto à família, somente a mãe aprendeu a falar em Libras. Com o pai, que mora em Belém (PA), ele passava as férias. Durante um mês, a comunicação entre os dois acontecia com a escrita, mas ele não se incomodava. Com 30 anos, formado e empregado, ele deixou a mensagem: “O surdo pode. Não tem dificuldade. Ele precisa acreditar, ter força de vontade, é possível. Eu vejo as pessoas evoluindo por meio do estudo. É importante pra vida”. (A.G.G)






Por Folha Web
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