Polícia apura se PM tem envolvimento com ataque que deixou transexual sem movimentos na BA; suspeito foi preso | Portal RR Music

Polícia apura se PM tem envolvimento com ataque que deixou transexual sem movimentos na BA; suspeito foi preso

Crime ocorreu em abril em Presidente Dutra, região norte do estado. Um frentista, que teria atirado na vítima, também está preso.
Transexual foi baleada e ficou sem movimentos dos braços e das pernas, no interior da Bahia (Foto: Divulgação/ PSOL)

A Polícia Civil apura se um policial militar tem envolvimento com o atentado a tiros que deixou a militante transexual Bárbara Trindade, de 21 anos, sem os movimentos dos braços e das pernas, na cidade de Presidente Dutra, na região norte da Bahia. O crime ocorreu no dia 2 de abril de 2017 e a vítima, segundo amigos, permanece internada em um hospital de Salvador.
O policial Paulo Roberto Ferreira Machado está preso no Batalhão de Choque da Polícia Militar em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. Além dele, o frentista Domingos Mendes, apontado como suspeito de atirar na vítima também está preso. A suspeita é que Domingos teria ficado insatisfeito após a vítima ter contado sobre o relacionamento deles para outras pessoas. O frentista, conforme o Ministério Público da Bahia (MP-BA), foi levado para o local do crime por outra pessoa, que pode ter sido o policial.
"Já concluímos um inquérito, mas tem um segundo [inquérito] em andamento. Além do primeiro suspeito, o policial foi preso também. Ele teve prisão temporária decretada e estamos investigando se ele tem envolvimento no crime", disse nesta sexta-feira (21) ao G1 a delegada Ezerlina Rocha, que é titular da Delegacia de Presidente Dutra e investiga o crime.
Segundo o MP, a investigação, que ouviu testemunhas e analisou câmeras de segurança, aponta que um suspeito, que seria o PM, pilotou a moto usada para chegar ao local do atentado, enquanto o outro, que estava na garupa do veículo, teria efetuado os disparos -- supostamente o frentista, conforme a ponta a vítima. “Eu requisitei a apuração do segundo indivíduo e há indícios de que o PM auxiliou Domingos no dia do crime", disse o promotor Igor Miranda.
O PM Paulo Roberto Ferreira Machado é lotado em Barro Alto, na região de Irecê, e foi preso há cerca de mês. Segundo o MP, ele cumpriu prisão temporária de 30 dias, mas a Justiça determinou a prorrogação da prisão por mais 30 dias.
Ainda de acordo com o MP, familiares e a defesa do frentista Domingos Mendes negam que ele tenha envolvimento com o crime e dizem que ele foi vítima de uma armação por parte do policial. Os parentes do frentista disseram que o PM, que já teria tido um relacionamento com a transexual, teria criado uma conta no aplicativo WhatsApp com a foto e o nome do frentista e que teria usado esse perfil falso para se comunicar e atrair a vítima para o local do crime.
A delegada Ezerlina Rocha afirmou que a polícia aguarda a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos, para averiguar a versão dada pela família e defesa do frentista.
O promotor Igor Miranda diz que a versão dos parentes do suspeito está sendo investigada, mas afirma que as provas colhidas até agora indicam que Domingos participou do crime. A vítima, inclusive, segundo o MP, reconheceu o frentista como sendo o autor dos disparos que a atingiram. “Toda a prova produzida até o momento é que Domingos foi aquele que atirou. A investigação se aprofunda nesse momento para identificar se o segundo homem na moto no dia do crime foi ou não o policial”, disse.

Sem movimentos

Bárbara Trindade perdeu o movimento das pernas e dos braços após ataque na Bahia (Foto: Reprodução/ TV Bahia)

A também militante LGBT Ruby Santos, que é amiga de Bárbara, disse nesta sexta ao G1 que a transexual está internada no Hospital Professor Carvalho Luz, em Salvador. Antes, estava recebendo atendimento no Hospital Manoel Victorino, também na capital. A transferência, conforme Ruby, ocorreu em maio.
De acordo com a amiga, Bárbara ainda não consegue movimentar os braços e as pernas. "Ela ainda está se recuperando e fazendo tratamento. Os médicos dizem que tem possividade de mexer os braços daqui a algum tempo, mas é uma recuperação muito lenta, demorada. Ela está começando a mexer uma mão agora, depois de muita fisioterapia", destacou.
Ainda conforme Ruby, a transexual está sendo acompanhada por uma cuidadora e consegue conversar. "Ela perdeu os movimentos do pescoço para baixo. Fez traqueostomia, mas consegue conversar. Fala bem devagar e bem baixo, mas dá pra se comunicar. O que os médicos falam mesmo é que ela pode não mais voltar a andar, somente mexer os braços com muitos anos de fisioterapia", disse.

Caso

O crime ocorreu no dia 2 de abril. A vítima foi atingida por disparos no maxilar e nas costas. Bárbara conta, em um vídeo postado na internet, que havia marcado um encontro com o frentista Domingos Mendes, por meio de mensagens em uma rede social, no dia do crime.
"Marcamos 23h, na Câmara Municipal de Presidente Dutra. Cheguei lá e fiquei esperando. Em seguida, chegou uma moto com duas pessoas, só que a rua estava muito escura, eu fiquei com medo e não fui. Em um determinado momento, ele [Domingos] desceu da moto e fez o primeiro disparo, que pegou no meu maxilar. Depois eu virei e tomei o segundo tiro, foi quando eu vi o rosto dele", relatou a vítima.
O frentista, no entanto, segundo a polícia, nega o crime e ainda afirma que nunca teve nenhum relacionamento com a vítima. A delegada que investiga o caso informou que a polícia apura se o frentista marcou o encontro com Bárbara ou se alguém se passou por ele ao enviar as mensagens para o celular da transexual. Por conta disso, a polícia pediu a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos e da vítima.
Conforme a denúncia do Ministério Público Estadual, o frentista disparou contra Bárbara “mediante dissimulação e recurso que impossibilitou a defesa da vítima”. A denúncia do MP ainda reiteira o depoimento da vítima, afirmando que o frentista agendou um “encontro amoroso” com Bárbara no dia do crime. O Ministério Público afirma ainda que Domingos chegou ao local do encontro de "carona" em uma motocicleta.
A denúncia é de autoria dos promotores de Justiça Áviner Rocha Santos, Edna Márcia Souza de Oliveira, Fábio Nunes Guimarães e Igor Clóvis Miranda. A promotoria afirma que “o encontro designado pelo algoz serviu para dissimular sua real intenção e, dessa forma, diminuir a vigilância da vítima, permitindo eficiente ataque contra a vida alheia”.
Integrante de um coletivo LGBT que presta apoio à Barbara, a amiga Ruby Santos diz que o frentista atirou na jovem porque ficou insatisfeito após ela ter contado sobre o relacionamento deles para outras pessoas. "Ele tinha relação com ela e ele ficou com raiva, porque ela contou sobre a relação na cidade e ele não quis ter o nome ligado com uma pessoa trans", contou. 






Por Alan Tiago Alves, G1 BA 
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