Governo Federal reconhece situação de emergência no Uiramutã após enchente

Com o decreto, Município pode solicitar ações de socorro, assistência, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas danificadas
Chuva ainda castiga comunidades no município de Uiramutã (Foto: Divulgação/Arquivo/Folha)

O Ministério da Integração Nacional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, reconheceu situação de emergência no município de Uiramutã, na região norte de Roraima, após as enchentes que acometeram a localidade no dia 18 de maio deste ano. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) da última sexta-feira, 07.
Conforme informou o Ministério à Folha, por meio de nota, com o reconhecimento da situação de emergência, o Município pode solicitar apoio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil para ações de socorro, assistência, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas danificadas.
Os pedidos devem ser feitos por meio do Plano Detalhado de Resposta, no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, disponível no site do Ministério da Integração. Após o envio destes documentos e análise por parte da equipe técnica da Secretaria, as medidas de apoio federal são definidas e posteriormente disponibilizadas ao Município.
Os prazos para envio dessas documentações são de 30 dias para ações de resposta imediata (socorro e assistência) e até 90 dias para ações de reconstrução.
ENCHENTES – O Uiramutã foi atingido por uma forte chuva que caiu na madrugada do dia 18 de maio, deixando debaixo d’água uma das pontes que dá acesso ao município, localizado a 300 quilômetros da Capital. A situação deixou cerca de 900 indígenas das comunidades de Kumapai e Caxirimã isolados, além dos moradores da sede do município.
Os indígenas da comunidade Kumapai, localizada a oito quilômetros da sede, precisaram se deslocar para uma serra próxima da aldeia para conseguir abrigo. Mais de 15 comunidades indígenas ficaram na mesma situação. Casas, a escola e o posto médico da comunidade ficaram debaixo d’água.
No mesmo dia dos alagamentos, o prefeito do Município, Manuel da Silva Araújo (PP), o Dedel, solicitou que fosse decretada a situação de emergência. No dia 22 daquele mês, o decreto foi encaminhado para o Estado para a homologação. No dia 30 de maio, a Declaração de Atuação Municipal de Emergência (DMAT), o Formulário de Informação do Desastre (FID) e os relatórios fotográficos foram encaminhados para Brasília. “No dia 08 de junho, Brasília liberou o Formulário de Verificação do Desastre (FVD) com algumas pendências, as quais foram regularizadas pela Prefeitura do Uiramutã. E agora saiu o reconhecimento por parte do Governo Federal”, disse o prefeito.
Conforme Dedel, as enxurradas trouxeram inúmeros prejuízos ao município. “As chuvas destruíram habitações, produção agrícola, estradas, isolando comunidades e afetando inúmeras famílias que residem em áreas vulneráveis. Ao todo, 184 famílias foram afetadas, acarretando no prejuízo significativo da lavoura de subsistência da população das comunidades atingidas pela enxurrada, danificando cerca de 45 residências”, informou.
Segundo o prefeito, as famílias atingidas ainda precisam se ajuda. “Ainda se precisa de ajuda, porque aquelas comunidades que alagaram estão voltando a alagar novamente. Só não há mais desabrigados, porque eles subiram para as serras”, frisou. (L.G.C)

Nível do Rio Branco começa a baixar, mas ainda preocupa

O nível do Rio Branco em Boa Vista, que chegou a atingir 8,77 metros na sexta-feira, 07, começou a ciar. No domingo, 09, segundo dados obtidos na estação fluviométrica da Agência Nacional de Águas (ANA), o nível do rio marcou 8,49 metros, pouco menos de dois metros para atingir a marca histórica de 2011, quando o nível das águas chegou a 10,21 metros.
Em outro município do Estado, Caracaraí, na região centro-sul, porém, o nível do rio preocupa. No domingo, o Rio Branco atingiu 9,60 metros na localidade, nível considerado de emergência pela Defesa Civil Municipal. É a terceira maior cota do rio desde 2011. O maior nível ocorreu em 1976, quando o rio chegou a 10,62 metros.
A preocupação também se dá por conta das cheias dos rios do Amazonas. Isso porque, se os rios de lá estiverem cheios, não há para onde a vazão do Rio Branco correr. O Rio Negro chegou a registrar a marca de 29 metros, segundo medição do Porto Privatizado de Manaus. Nos dias seguintes, o nível manteve-se estabilizado e apresentou redução na sequência do mês, chegando a marca de 28,55 metros, registrada na última semana. Quase um mês após o início do processo de vazante, o Rio Negro, no entanto, já desceu 45 centímetros.
CHUVAS - Conforme o último Boletim Hidroclimático da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), do dia 09 de julho, a previsão de precipitação para os próximos dias no estado é de tempo nublado com chuva, com tendências de temperaturas estáveis e variações entre 24ºC e 31ºC. Conforme o modelo de previsão, o sul do Estado será atingido com chuvas acima de 16 milímetros. Já a previsão sazonal para o trimestre entre julho e setembro apresentará volumes de chuva de normal a abaixo do normal climatológica no Estado. (L.G.C)

Estado cria gabinete para atender vítimas de enchentes

Com a situação dos alagamentos, que atingem vários bairros de Boa Vista, além de municípios do interior, o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), por meio da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), anunciou a criação de um Gabinete de Enchentes, que trabalhará com dedicação exclusiva, dando suporte às localidades afetadas.
“Pela situação alarmante em vários municípios, decidimos montar uma estrutura dedicada ao acompanhamento e apoio aos moradores em situação de necessidade por causa das chuvas”, disse o comandante-geral do CBMRR e coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Doriedson Ribeiro.
A Defesa Civil Estadual informou que alguns moradores da Vila Vintém foram levados para a Vila Nova, uma área dentro do município do Cantá, próximo à curva do posto de gasolina. Outros foram levados para casas de familiares em Santa Cecília e em Boa Vista, ou para a sede do município do Cantá. Alguns estão em abrigos temporários da Defesa Civil no município de Boa Vista.
No caso do Cantá, o Estado disponibilizou o abrigo, as equipes e os equipamentos para a remoção dos moradores em área de risco. O Município contribuiu com um caminhão para auxiliar na retirada dos moradores e também colabora na gerência do abrigo temporário.
AUXÍLIO - Conforme a Prefeitura de Boa Vista, a população do município do Cantá é atendida pela Defesa Civil do seu município, embora a Defesa Civil da capital tenha auxiliado em retiradas de famílias no Cantá. “A Defesa Civil tem atuado em Boa Vista conforme o fluxo das chuvas e dispõe ainda de barcos, serras-elétricas e maquinários para serem utilizados em situações de emergência, como corte de árvores nas áreas atingidas. Caso seja necessário apoio, as solicitações podem ser feitas através da Central de Atendimento 156”, informou, em nota. (L.G.C)






Por Luan Guilherme Correia
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