Piloto continua desaparecido e sobrevivente relata negligência

Técnico em enfermagem contou que ele e o piloto saíram ilesos da queda da aeronave, mas resgate foi feito de helicóptero e sem socorristas
Corpo de Bombeiros enviou equipe à região para iniciar as buscas pelo piloto, identificado como Elcides Rodrigues Pereira, o “Peninha” (Foto: Divulgação)

A queda de uma aeronave de pequeno porte da empresa de táxi aéreo Paramazônia ocorrida na tarde de quarta-feira, 14, que deixou um enfermeiro ferido e o piloto desaparecido no rio Catrimani, região de Caracaraí, centro-sul de Roraima, ainda está tendo desdobramentos.
Na manhã de ontem, 15, a reportagem da Folha conversou com o sobrevivente, o técnico em enfermagem Ednilson Cardoso, de 28 anos. Ainda muito abalado, ele deu detalhes do acidente e afirmou que houve negligência durante o resgate dele e do piloto da aeronave, que foi identificado como Elcides Rodrigues Pereira, mais conhecido como “Peninha”.
“A gente tava com uma hora de voo e uma das hélices da aeronave quebrou. Vínhamos planando sem lugar para pousar e fomos chegando próximo ao rio e o comandante gritou que estávamos caindo. Ele começou a passar as coordenadas de onde iríamos cair, fez a volta e batemos na água, foi quando o avião virou e as portas travaram”, disse.
No momento da queda, Ednilson contou que o piloto se desesperou e parecia não saber nadar. “Na hora o piloto se desesperou, mas mantive a tranquilidade, dei um chute na janela e empurrei-o para fora. Subimos juntos na asa do avião e perguntei se ele sabia nadar, e ele disse que sim. Pulamos para ir para a margem, mas quando olhei para trás ele já estava se batendo na água, aí eu voltei, pulei, passei por debaixo dele, peguei na camisa e joguei-o para a margem e ele caiu cansado”, narrou.
Depois de terem chegado à margem do rio, o técnico em enfermagem e o piloto ficaram aguardando o resgate. “O avião tinha engatado em uma tora de madeira, mas com a correnteza forte estava querendo submergir, o que iria atrapalhar nosso resgate. Fizemos um local para descansar na margem, porque ali é uma região de muita onça e estávamos cansados, e comemos algumas frutas que tinham lá”, contou.
Foi justamente no momento do resgate que, segundo Ednilson, o piloto desapareceu. “O dono da empresa mandou o helicóptero para resgatar a gente. Jogaram a corda, nos amarramos e subimos. Subi na frente do piloto e fui puxando ele, mas como ele estava cansado não aguentava segurar e caiu na água. Ele começou a se debater e como a correnteza estava forte foi levando ele. O helicóptero baixou e pulei de volta no rio, mas o piloto já tinha sumindo”, relatou. O técnico de enfermagem foi removido para Boa Vista, onde recebeu atendimento médico no Hospital Geral de Roraima (HGR) e passa bem, apesar de estar emocionalmente abalado.
Só após a tentativa de resgate do piloto e do passageiro, a empresa Táxi Aéreo Paramazônia pediu ajuda do Corpo de Bombeiros. A Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado informou que o Corpo de Bombeiros só foi acionado para atender ocorrência relacionada ao assunto na madrugada de ontem.
OUTRO LADO - A Táxi Aéreo Paramazônia foi procurada para se manifestar sobre a denúncia do técnico em enfermagem e o andamento da ocorrência. Por telefone, um dos proprietários disse que a empresa só irá se manifestar quando houver alguma novidade sobre o caso.

Equipe de quatro bombeiros é enviada para tentar encontrar piloto

Uma equipe composta por quatro militares experientes em resgate saiu da pista da Paramazônia, no Aeroporto Internacional de Boa Vista Atlas Brasil Cantanhede, às 7 horas da manhã de ontem, 15. Eles foram à busca do piloto Elcides Rodrigues Pereira, conhecido como “Peninha”, que está desaparecido na região do Catrimani.
O grupo saiu de Boa Vista ainda com poucas informações sobre o acidente, para verificar a análise inicial e logística. Conforme o Corpo de Bombeiros, eles devem permanecer na região por cinco ou sete dias ou até o piloto ser encontrado.
Os militares pousaram numa base na região do Catrimani, no posto da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), por volta das 10h30. De lá, o grupo pegou embarcação e iniciou a navegação no rio em direção ao local onde o avião fez o pouso forçado, que fica a 15 minutos de distância da pista de pouso. Os militares iniciaram as buscas com equipamento de mergulho para tentar encontrar o piloto, mas, até o fechamento desta matéria, às 16h de ontem, ainda não haviam obtido êxito.
O CASO - O acidente foi informado com exclusividade pela Folha, no final da tarde de quarta-feira, 14, após confirmação do Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB). O piloto e o passageiro da aeronave tinham ido fazer uma remoção de uma criança na Terra Indígena Yanomami, quando o avião fez um pouso forçado no rio Catrimani. (L.G.C)






Por Luan Guilherme Correia
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