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Ministro das Relações Exteriores visita abrigo para venezuelanos

Aloysio Nunes estava no Haiti e fez escala em Boa Vista, sem comunicar previamente a vinda ao Estado
(Foto: Neto Figueiredo) A visita do ministro Aloysio Nunes durou menos de 30 minutos

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, fez uma rápida visita na tarde deste sábado, 3, ao Centro de Referência ao Imigrante (CRI), em Boa Vista (RR), onde estão abrigados 289 venezuelanos que migraram para o Brasil em busca de refúgio, a maioria índios da etnia warao. São 205 indígenas, dos quais 73 são crianças menores de 13 anos.
 
Aloysio Nunes pousou na Base Aérea de Boa Vista por volta das 15h10, vindo do Haiti, onde participou de uma audiência com o primeiro-ministro daquele país, Jack Guy Lafontant. A visita não foi comunicada previamente. Conforme o ministro, ele aproveitou o retorno da viagem para o Haiti e fez a escala na capital roraimense para verificar de perto a situação dos imigrantes venezuelanos no Estado.
 
No momento da visita, que durou menos de trinta minutos, a governadora Suely Campos estava cumprindo agenda na zona rural de Boa Vista, onde inaugurou a vicinal do Truarú. O ministro foi recebido pelo comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, general Gustavo Dutra e seguiu direto para o abrigo, que funciona no ginásio esportivo da escola Ulysses Guimarães, no bairro Silvio Botelho.
 
O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Doriedson Ribeiro, e a secretária-adjunta do Trabalho e Bem Estar Social, Maria Edilânia de Almeida Mangabeira, explicaram ao ministro a situação do abrigo e falaram das necessidades do Estado, que vem fazendo o acolhimento aos venezuelanos desde outubro do ano passado, sem a ajuda do governo federal e do município de Boa Vista.
 
Eles explicaram que equipes do governo federal e da ONU estiveram em Boa Vista e Pacaraima nas últimas duas semanas, e que foi criado um grupo de trabalho que está elaborando um plano de contingência que inclui melhorias nas condições físicas do CRI e a montagem de outro abrigo em Pacaraima.
 
A grande preocupação é com os indígenas. São muitas mulheres e crianças que estão em situação de vulnerabilidade e precisam de assistência, disse Maria Edilânia.
 
O coronel Doriedson Ribeiro destacou que a Defesa Civil acatou uma recomendação da ONU e vai separar os índios e não-índios que hoje vivem no CRI, mas não conseguem se entender harmonicamente.
 
Além disso, informou que a partir da próxima semana, os venezuelanos, principalmente homens solteiros, que já conseguiram retirar a Carteira de Trabalho, vão permanecer no CRI pelo período máximo de 15 dias.
 
Este é um abrigo rotativo. É um local de passagem. Tem pessoas que estão aqui desde dezembro do ano passado e a partir de agora vamos cumprir esse prazo. Também estamos buscando alternativas para separar os índios dos não-índios o mais rapidamente possível, informou, esclarecendo que na segunda-feira, 5, vai fazer uma nova triagem de pessoas no local.
 
Estima-se que 30 mil venezuelanos ingressaram em Roraima desde o agravamento da crise político-econômica da Venezuela. Pelo menos 3 mil pediram refúgio à Polícia Federal somente no primeiro trimestre deste ano. Muitos conseguiram emprego e já se estabeleceram em Boa Vista, mas os indígenas estão nos semáforos da capital, pedindo dinheiro a motoristas. São muitos idosos, mulheres e crianças.
 
A crise dos venezuelanos também sobrecarregou o atendimento nos hospitais de Boa Vista e de Pacaraima, impactou na segurança pública e na educação. As escolas estaduais registraram este ano a matrícula de 999 alunos venezuelanos.  Foi observado um aumento de 192% no número de ocorrências policiais envolvendo venezuelanos no Estado.
 
 
 
 
 
Por Folha Web
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