Ex-moradora de rua do DF supera vício das drogas e tenta aprovação na UnB

Vendedora ambulante, Daiana Bárbara concilia rotina de trabalho com estudos preparatórios para vestibular; provas acontecem neste fim de semana. Mais de 21 mil estudantes estão inscritos.
A vendedora ambulante, Daiana Bárbara, e o filho, de 10 anos. (Foto: Marília Marques/G1 DF)

Mais de 21 mil estudantes vão concorrer a uma vaga em 98 cursos de graduação da Universidade de Brasília (UnB). As provas acontecem neste sábado (10) e domingo (11). Ao todo, serão 2,1 mil vagas distribuídas em quatro campi da instituição.
Dentre os inscritos, a história de Daiana Bárbara Coqueiros chama a atenção. A vendedora ambulante de 31 anos, vai prestar o vestibular pela primeira vez. Ela é uma ex-moradora de rua do Distrito Federal e também ex-usuária de crack que conciliou todas as aulas do ensino fundamental e médio com a dependência química e a vivência nas ruas.
“Fiquei 12 anos na rua, não tinha contato com a minha mãe e meu pai estava no sistema prisional."
Daiana explica que completou os estudos morando nas ruas, faz curso técnico em Serviços Públicos, no Instituto Federal de Brasília (IFB) e estuda para ser aprovada no curso de Serviço Social da UnB.
A escolha do curso tem um motivo especial, ela diz que superou o problema com as drogas, se tornou mãe e pretende retribuir em forma de conquista, o apoio que recebeu das assistentes sociais que a atenderam nas ruas.
“Uma das coisas que me ajudaram muito a sair da rua foram estas profissionais, que sempre lutaram por mim, quando nem eu mesma acreditava. Agora eu quero ajudar essa galera que está em abrigos.”

Escola Meninos e Meninas do Parque

A formação básica, Daiana recebeu de professores da Escola Meninos e Meninas do Parque (EMM), em Brasília. A instituição é vinculada ao governo do Distrito Federal e atende 184 alunos em situação de vulnerabilidade, alguns também em situação de rua.
Na sede, localizada no estacionamento 6 do Parque da Cidade, na Asa Sul, podem ingressar estudantes de qualquer idade e em qualquer período. A escola atua na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) e atende a estudantes menores de idade durante a manhã e, aos maiores de 18 anos, no turno vespertino.
“Era complicado conseguir. Tinham dias que eu chegava, saía e ia para fora da escola dormir... Nas ruas, à noite, eu não conseguia ter esse momento de descanso”, relembra. Sobre a escolha em priorizar os estudos e dos sacrifícios que fez a cada dia, Daiana não se arrepende.
“Optei por sair da rua e me tornar alguém diferente. Escolhi acordar e estudar.”
Ainda hoje, a rotina da candidata ao vestibular da UnB não é fácil. Multitarefas, Daiana concilia a maternidade, com o trabalho como vendedora ambulante nas ruas de Brasília, o curso técnico no IFB à noite e, nas poucas horas de descanso, o estudo preparatório para a desejada aprovação na universidade.
Apesar da rotina, a educação ainda é prioridade na vida de Daiana. Mãe de um menino de 10 anos, ela conta com orgulho que o filho sabe de toda sua história de vida e superação. "Ele é um ótimo aluno”.
Estudantes da Escola Meninos e Meninas do Parque. (Foto: Divulgação/Agência Brasília )

Incentivo à permanência

Assim como Daiana Bárbara, 9,2% dos inscritos nesta edição do vestibular da UnB solicitaram a isenção do pagamento da taxa de inscrição, que custa R$ 150. O pedido é um dos indicadores em que é possível avaliar a vulnerabilidade social do candidato.
Além da taxa paga para realização da prova, apesar de pública, cursar a tão sonhada graduação na UnB exige gastos com materiais de estudo e, caso o estudante seja de uma outra cidade, somam-se os altos cultos da capital federal.
No entanto, universidades públicas como a UnB, oferecem bolsas, auxílios e, em alguns casos, residência, para estudantes de baixa renda. A instituição utiliza como principal indicador de vulnerabilidade socioeconômica a renda per capita da família do estudante e as condições de moradia.
Segundo dados repassados pela universidade, em 2016, cerca de 1,1 mil estudantes foram incluídos nos programas da assistência estudantil através de avaliação socioeconômica. Em 2017, este número corresponde a um pouco menos de um terço do total do ano passado, 327 alunos. De acordo com a UnB, o número é inferior ao de 2016, pois as avaliações socioeconômicas do primeiro semestre "ainda estão em andamento". 







Por Marília Marques, G1 DF
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