Artista tem material de pintura quebrado por guardas municipais em SP: 'Humilhante'

Sem autorização, pintor trabalhava na rua quando foi surpreendido, em Santos, no litoral paulista.
Guilherme teve material apreendido por guardas em Santos, SP (Foto: Divulgação)

O artista Guilherme Fernandes, de 27 anos, que trabalha como pintor nas ruas de Santos, no litoral de São Paulo, alega que teve bens apreendidos e material quebrado por guardas municipais da cidade durante uma abordagem. A prefeitura informou que ele estava irregular, mas que apura o caso em um procedimento administrativo.
Fernandes é artista de rua e pinta azulejos com os dedos. Na segunda-feira (12), ele estava sentado no chão de uma calçada da Avenida Ana Costa, no bairro Gonzaga, quando foi abordado pelos guardas, que chegaram em uma viatura. Na versão oficial, a equipe disse atender a uma ocorrência de perturbação de sossego.
"Eles disseram que eu não poderia estar ali e pediram para eu sair. Eu concordei e comecei a guardar meus materiais. Peguei meu celular e disse para um guarda que iria fazer uma foto deles, já que estavam me tirando do local. Daí, ele [o guarda] virou e disse que iria apreender as minhas coisas", relata o pintor.
Guilherme alega que, em seguida, os guardas retiraram à força a mochila dele e ainda danificaram parte dos materiais, inclusive um azulejo, que acabou quebrado. O caso foi flagrado por pedestres, que não compreenderam a atitude dos guardas. Uma postagem de uma testemunha repercutiu na internet após o fato.
Um dos azulejos produzidos pelo pintor foi quebrado na ação dos guardas (Foto: Divulgação)
"Foi uma humilhação com ele, pois ele faz os trabalhos dele durante muito tempo já. E, de um dia para o outro, levaram as coisas sem mais nem menos. É um absurdo", disse um estudante de 17 anos que acompanhou parte da abordagem. Ele fez imagens da ação e também as compartilhou nas redes sociais esta semana.
Guilherme ficou nervoso, passou mal e precisou ser auxiliado por pessoas que estavam próximas. "Eu fiquei meio apavorado, sem saber o que fazer. Foi muito constrangedor e humilhante", disse. Ele relata que as pessoas que estavam no entorno deram dinheiro a ele, e um casaco, já que tudo o que tinha estava na mochila que foi apreendida.
O pintor é natural de Peruíbe, no litoral paulista, e disse nunca ter passado por algo semelhante. "Eu sei que não tenho a autorização, e por isso saí, mas não entendi o porquê deles fazerem aquilo. Já vou me regularizar na próxima semana para evitar", garantiu. Ele também gostaria de ter os bens apreendidos devolvidos.
Cada azulejo pintado por Guilherme custa R$ 20. A maioria dos desenhos é de paisagens, mas ele diz que pode fazer o que o cliente sugerir. Por dia, ele chega a vender até dez peças, que são feitas na hora. "Eu gosto muito do que faço e vivo disso. O que eu quero mesmo é poder trabalhar em paz e ser legalizado".
Guilherme trabalha na rua e pinta azulejos com o dedo (Foto: Arquivo Pessoal)

Apuração

A Secretaria de Segurança Pública de Santos informou que os guardas atenderam à ocorrência depois de um chamado de perturbação. "Chegando ao local, constatou-se um rapaz comercializando algumas pinturas de autoria própria. Por se tratar de comércio irregular, foi efetuada a apreensão do material".
A infração está prevista no Código de Posturas do município (Lei nº 3531/1968). No entanto, a administração municipal afirmou que o comando da guarda abriu procedimento administrativo para apurar e esclarecer os fatos, já que "foram levantadas outras versões para o acontecimento". Não há prazo para conclusão.
Ainda em nota, a prefeitura esclareceu que interessados em se legalizar podem entrar em contato com a Coordenadoria de Museus e Galerias (Comug), na Avenida Senador Pinheiro Machado, 48. É preciso que a pessoa more em Santos e apresente comprovante de residência, foto 3x4, RG e imagens dos produtos. 






Por G1 Santos
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