Corregedoria arquiva caso sobre PMs que mataram pichadores em 2014 em SP, diz advogado | Portal RR Music

Corregedoria arquiva caso sobre PMs que mataram pichadores em 2014 em SP, diz advogado

Decisão na esfera administrativa foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (30). Defesa pedirá agora absolvição dos 5 agentes, que são réus no âmbito criminal, sob alegação de legítima defesa.
Corregedoria da PM arquivou caso dos 5 policiais (que deram entrevista ao G1 sem mostrar o rosto) que mataram 2 pichadores (no detalhe) em 2014 em São Paulo (Foto: Arquivo/Marcelo Brandt/G1 e Arquivo/Reprodução/TV Globo)

A Corregedoria da Polícia Militar (PM) arquivou nesta semana o caso sobre os cinco policiais militares investigados administrativamente pela suspeita de executarem a tiros dois pichadores que invadiram um prédio em 2014 na Zona Leste de São Paulo. A decisão foi publicada na edição desta terça-feira (30) do Diário Oficial, segundo a defesa dos agentes. Desse modo, eles não correm mais risco de serem expulsos da corporação.
Ao G1, o advogado João Carlos Campanini afirmou que levará agora a decisão da Corregedoria da PM à Justiça comum, onde seus clientes são réus no processo criminal que apura se eles assassinaram Alex Dalla Vecchia Costa, de 32 anos, e Ailton dos Santos, de 33, no dia 31 de julho de 2014 no Edicífio Windsor, na Mooca.
Em entrevista exclusiva ao G1 em 2015, os policiais sustentaram que mataram os pichadores para se defender deles. Segundo a versão dos agentes, a dupla estava armada e não entrou no prédio para pichar, mas sim para roubar (assista abaixo à reportagem de 2015).
Policiais acusados dão sua versão sobre a morte de dois pichadores em São Paulo
Policiais acusados dão sua versão sobre a morte de dois pichadores em São Paulo
“Significa uma grande vitória que está trazendo a verdade à tona. Vai servir de forte prova emprestada para o processo criminal do júri que eles estão respondendo”, disse João Carlos. "Isso vai repercutir de forma muito positiva para a justiça arquivar também na esfera criminal."
O tenente Danilo Keity Matsuoka, de 30 anos, o sargento Amilcezar Silva, de 47, os cabos Adilson Perez Segalla, 43, Robson Oliva Costa e André de Figueiredo Pereira, 37, são acusados pelo Ministério Público (MP) de executarem os pichadores.
Alex Dalla Vecchia Costa e Ailton dos Santos em foto tirada no elevador do prédio invadido (Foto: Reprodução/Arquivo/TV Globo)
Danilo, Amilcezar, Adilson e André respondem por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima). Robson também foi denunciado por ter participado das execuções, embora não tenha disparado contra as vítimas. Os cinco também são acusados de fraude processual.
Eles chegaram a ser presos, mas depois foram soltos por decisão da Justiça e estão respondendo aos crimes em liberdade.
A defesa dos PMs reiterou essa posição nesta manhã. "Para mim, como já dito desde a data do fato, os militares agiram em legítima defesa. Foram atacados a tiros e não poderiam morrer. Revidaram e os delinquentes infelizmente morreram”, disse o advogado dos agentes.
João Carlos espera que seus clientes possam retornar ao trabalho nas ruas e receber suas armas de volta. "Apurou tudo. Isso nesse processo administrativo. E concluiu que não haviam provas de ilegalidade na ação."
Câmeras de segurança do prédio gravaram o momento em que os pichadores entram e depois aparecem os policiais (Foto: Reprodução/Arquivo/TV Globo)

MP contesta

Mas essa versão de legítima defesa é contestada pelo MP. De acordo com a acusação feita pelo promotor Tomás Busnardo Ramadan, do 1º Tribunal do Júri do Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste da capital, os policiais simularam uma falsa troca de tiros, "plantando" armas nas mãos das vítimas, para justificar a morte delas.
Câmeras de segurança gravaram a entrada dos pichadores e dos PMs no prédio, mas não mostram o suposto tiroteio. Em um áudio de WhatsApp, os pichadores conversaram com amigos sobre irem ao prédio para pichar.
Como a Justiça aceitou a denúncia do MP, por entender haver indícios da participação dos PMs na execução dos pichadores, caberá à juíza Débora Faitarone decidir se arquiva o processo, se absolve os agentes sumariamente ou ainda se os leva a julgamento popular. 






Por Kleber Tomaz, G1 SP, São Paulo
COMPARTILHAR:

+1

Publicidade:

Roraima music no twitter

Total de visualizações

Cursos Online

Receba Nossas atualizações

•Recomende-nos No Google+
•Receba Nossas Notícias do Roraima Music Por e-mail